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Abra o informe de rendimentos do ano passado: ele separa o que você recebeu como rendimento tributável, onde o pró-labore aparece, do que você recebeu como rendimento isento, onde a distribuição de lucros aparece, e a proporção entre os dois é o retrato da sua configuração atual.
Compare o pró-labore com o teto de contribuição do regime geral: se ele está acima e você não tem um motivo escrito para manter a diferença, cada real acima dessa linha está gerando imposto de renda retido sem comprar benefício previdenciário nenhum.
Peça ao seu contador o balancete e a memória de cálculo do lucro: distribuição isenta depende de lucro apurado e escriturado, e nenhuma otimização de pró-labore se sustenta se a contabilidade da empresa não comprova a sobra que está sendo distribuída.
Liste os seus objetivos que dependem de renda comprovada: financiamento imobiliário, limite de cartão, visto que exige comprovação de renda ou contribuição previdenciária desejada, porque cada um deles é uma razão legítima para manter o pró-labore mais alto de propósito.
Marque uma revisão anual com data no calendário: faturamento em dólar oscila com câmbio e com renovação de contrato, e a divisão que fazia sentido com quatro mil dólares mensais deixa de fazer sentido quando o contrato passa para sete mil.
O erro mais comum é copiar a configuração de outro profissional. A divisão certa depende do faturamento, do regime tributário, das despesas dedutíveis da pessoa física e dos objetivos de crédito de cada um, e nenhuma dessas variáveis é igual entre duas pessoas com o mesmo cargo.
O segundo erro é o oposto do primeiro: zerar o pró-labore para não pagar nada. Sócio administrador que trabalha na empresa tem obrigação de ser remunerado pelo trabalho, e a economia de curto prazo dessa rota costuma virar passivo com juros quando a fiscalização olha.
Vale manter uma planilha com quatro colunas por mês: receita da empresa em dólar, receita convertida em reais, pró-labore pago e lucro distribuído. Doze linhas dessas mostram de relance qual proporção do seu dinheiro está saindo por cada porta.
Uma última conferência fecha a rotina. Some o que a empresa recebeu no ano, some o que chegou na sua conta pessoal e calcule quanto por cento do primeiro virou o segundo. Esse percentual é o número que você deveria acompanhar, e a maioria dos profissionais que fatura em dólar nunca o calculou uma vez.
A vaga negocia o valor que entra na empresa, a sua configuração de retiradas negocia o valor que chega em você, e a segunda negociação é a única das duas em que você está sentado dos dois lados da mesa.
"Que percentual do que a sua empresa recebeu no ano passado chegou de fato na sua conta pessoal?"
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