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Abra o contrato de câmbio da última entrada: ele fica no internet banking ou no painel da instituição, costuma se chamar contrato de câmbio ou comprovante de operação, e traz em campos separados a taxa aplicada, o valor em reais, a linha de IOF e a natureza informada da operação.
Confira os quatro campos na ordem: taxa aplicada contra a cotação de mercado daquele dia para achar o spread, valor em reais para saber a base, linha de IOF para achar a alíquota efetiva, e código de natureza para saber sob qual enquadramento a operação entrou.
Monte o cálculo do líquido antes de fechar contrato de trabalho: parta do bruto em dólar, tire a taxa da plataforma, aplique a cotação com o spread histórico da sua instituição, tire o IOF e só então aplique a tributação da sua empresa, nessa sequência e nunca em outra.
Refaça o cálculo com três cotações: a de hoje, uma cinco por cento acima e uma cinco por cento abaixo, porque o número que você aceita numa negociação precisa se sustentar no pior dos três cenários, e não apenas no dia em que o câmbio ajudou.
Leve a natureza da operação ao seu contador: mostre o código que aparece no contrato e pergunte se ele corresponde ao serviço que a sua empresa efetivamente presta, porque essa conferência é rápida para quem tem o CNAE e o contrato social na mão.
O erro mais caro é planejar a vida financeira pelo número em dólar do anúncio. Uma proposta de cinco mil dólares mensais é ótima notícia e é uma linha de partida, não é o valor que vai aparecer no extrato nem o valor que sobra depois da apuração do mês.
O segundo erro é tratar o IOF como taxa de banco e ligar para reclamar. A instituição apenas calcula e recolhe, não define a alíquota nem escolhe se vai cobrar, e a única conversa útil com ela é sobre spread e sobre a natureza informada no fechamento.
Vale guardar cada contrato de câmbio numa pasta própria, com o nome do mês no arquivo. Doze contratos lado a lado mostram em minutos se a sua alíquota efetiva variou, se o spread da instituição piorou ao longo do ano e se algum fechamento entrou com natureza diferente dos outros.
Uma comparação simples fecha a rotina. Uma vez por trimestre, some o que entrou em dólar, some o que caiu em reais e divida um pelo outro. O resultado é a sua cotação efetiva real, já com tudo dentro, e é o único número que serve para negociar a próxima fatura.
A cotação que aparece na tela é uma promessa comercial, o contrato de câmbio é o registro do que realmente aconteceu, e a distância entre os dois é exatamente o tamanho do que você não estava contando.
"Quanto valeu, de verdade, o seu último dólar recebido depois de todas as linhas do contrato?"
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